domingo, outubro 22, 2006

Fases de uma investigação sociológica

Fases de uma investigação





1. Escolha do Tema Genérico




Todo o trabalho de investigação se insere num continuum, podendo ser situado em correntes de pensamento que o influenciam.




A investigação social procura compreender melhor o significado de uma conduta ou acontecimento, recolhendo contribuições de trabalho precedentes, analisar o funcionamento da estrutura social e as condicionantes que limitam e enquadram os indivíduos em determinada sociedade.







2. Objectivos do Estudo: Gerais e Particulares ð Pergunta de Partida





Pergunta de partida tem uma intenção compreensiva ou explicativa, permitindo ao investigador evidenciar processos sociais, económicos, políticos ou culturais de forma a compreender os fenómenos e os acontecimentos observáveis, assim como, interpretá-los mais acertadamente. Para isso, deverão ser observadas as qualidades de clareza, exequibilidade e pertinência, ou seja, a pergunta deverá ser precisa, concisa e unívoca; realista; contribuir para a evolução da investigação científica e ter uma intenção compreensiva ou explicativa[1].





3. Exploração



. Leitura: escolha e organização das leituras


i. Selecção de obras fundamentais sobre o tema (ajuda do orientador e outros investigadores)


ii. Selecção de capítulos fundamentais, leitura de sínteses genéricas para se ficar com uma ideia genérica sobre as implicações do tema


. Entrevistas exploratórias:


i. Selecção de entrevistados


ii. Definição das perguntas




Atitude a adoptar ao longo de uma entrevista exploratória:


1. Mínimo de perguntas possível


2. Intervir de forma mais aberta possível


3. Abster-se de se implicar pessoalmente no conteúdo


4. Procurar que a entrevista decorra num ambiente e contextos adequados


5. Gravar as entrevistas









Os métodos são formalizações particulares do procedimento de investigação, ou seja, percursos diferentes que permitem a inteligibilidade dos fenómenos estudados.








4. Problemática





A problemática é a abordagem ou perspectiva teórica que o investigador decide adoptar para tratar o problema definido na pergunta de partida.

A problemática tem 3 momentos:


o Exploração das leituras e das entrevistas


o Inventariar os diferentes aspectos do problema colocados pela pergunta de partida


o Explicitar o quadro conceptual que caracteriza a problemática – operacionalização de conceitos, definição das hipóteses





Abordagem positivista: fenómenos sociais são estudados como os fenómenos naturais, procurando as suas causas em factos materiais anteriores, constantes e exteriores ao fenómeno a estudar[2].




Abordagem compreensiva: fenómenos sociais como produto da acção humana, procurando o sentido dessa acção para os actores sociais (abordagem insuficiente) [3].





Método Hipotético-indutivo



A construção parte da observação.

O indicador é de natureza empírica

A partir dele, constroem-se novos conceitos, novas hipóteses e, assim, o modelo que se submeterá ao teste dos factos.


Método hipotético-dedutivo


A construção parte de um postulado ou conceito totalizante tido como modelo de interpretação do fenómeno estudado.


Este modelo gera, através de um simples trabalho lógico, hipóteses, conceitos e indicadores para os quais se terão de procurar correspondentes no real.





Hipótese (proposição que prevê uma relação entre 2 termos que podem ser conceitos ou fenómenos):


Ø Critério de refutabilidade:


o A hipótese deverá ter carácter de generalidade;


o Admitir enunciados contrários que sejam teoricamente susceptíveis de verificação





5. Observação



Ø Observar o quê? Dados necessários para confirmar ou refutar as hipóteses.


Ø Quem? Limitação geográfica, temporal e socialmente a investigação (Amostra).


Ø Como? Instrumentos de observação e recolha de dados.


[1] Cf. Quivy, Raymond; Campenhoudt, Luc Van – Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva, 1992, pp. 41-42.

[2] Cf. Quivy, Raymond; Campenhoudt, Luc Van – Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva, 1992, p. 101.

[3] Cf. Quivy, Raymond; Campenhoudt, Luc Van – Manual de Investigação em Ciências Sociais. Lisboa: Gradiva, 1992, p. 101.

in: http://ssebastiao.blogs.sapo.pt/