domingo, novembro 19, 2006

Outra análise de grupo do caso Bolet a partir da teoria culturalista da co-oreintação

MESTRADO EM SOCIOLOGIA DA SAÚDE

Sociologia das Organizações



Caso Bolet e Coorientações


Neste caso podemos equacionar três situações em que podem ser utilizados três tipos de coorientações. São elas:

1) A – Jean X – Máquina - B – Pai

2) A – Jean X – Máquina - B – André

3) A – Jean X – Máquina - B – Operários

O primeiro diálogo que Jean estabelece com o pai baseia-se numa atitude “sedutora” e afectuosa, fazendo uso do seu papel de filho, mas também apelando aos benefícios que a máquina iria trazer para a empresa. Benefícios estes que seriam a manutenção dos postos de trabalho, a melhoria da qualidade do produto e uma maior rapidez de produção. Desta forma, todos estes benefícios iriam contribuir para a continuidade da organização que este construiu, indo também ao encontro da evolução tecnológica, fundamental para a sobrevivência desta. O seu discurso é qualificado e fundamentado em conhecimentos teóricos e práticos.

O pai, por seu lado, adopta uma atitude e um discurso de concordância com o Jean, mas revelando uma preocupação real relativamente à manutenção dos postos de trabalho e às reacções que os funcionários mais antigos iriam ter com a introdução da nova máquina. O filho contrapõe que irá ser dada formação aos funcionários e que esta é a única forma da empresa não ir à falência.

No segundo diálogo, a coorientação utilizada pelo Jean também se poderá basear numa estratégia direccionada em dois sentidos: um que apela e reforça o laço familiar que os une, podendo Jean em local fora da empresa falar com André, explicar os benefícios da máquina e pedindo o seu apoio para este projecto; e um outro mais qualificado apresentando provas escritas e pedindo um estudo ao gabinete da empresa, viabilizando a compra da máquina, o que poderia reforçar a sua estratégia referindo a necessidade de inovar a empresa e a sua própria manutenção.

André poderia mostrar alguma preocupação relativamente à articulação entre as chefias e a linha de produção visto ser ele o elemento fundamental nesta articulação.

No terceiro diálogo a estratégia adoptada por Jean poderia ser mais agressiva e mesmo de alguma autoridade, que lhe é reconhecida, contrapondo de forma clara e objectiva a necessidade de introduzir a máquina na empresa como factor crucial na manutenção dos postos de trabalho e da continuidade desta.
Os operários poderiam inicialmente demonstrar alguma resistência, mas perante os argumentos apresentados por Jean, iriam concordar com a introdução da máquina uma vez que poderia estar em causa a manutenção dos seus postos de trabalho. Para além disso, Jean daria como garantia o acompanhamento e a formação qualificada necessária.


Andreia Rodrigues
Cátia Silva
Fátima Barbosa
Patrícia Cruz

17 de Novembro de 2006