Texto para a aula de 23 Nov. 2006 - A metáfora do fluxo e transformação
Uma visão taoista da organização - A metáfora do fluxo e transformação
Vejam este texto:
"As implicações de uma lógica taoista para a compreensão das organizações são claras e profundas. Na sua complexidade paradoxal, o sistema taoista desafia algumas das ideias estabelecidas e projecta nova luz sobre o funcionamento das organizações. Eis algumas das possibilidades de uma leitura taoista da organização:
Os opostos não são estados irreconciliáveis, mas partes complementares de uma mesma unidade. Por exemplo, de acordo com o stakeholder A, uma organização pode ser eficaz à luz de um dado critério, e ineficaz à luz de outro. Todavia, na perspectiva do stakeholder B, a interpretação pode ser a oposta. Sucede que esta paradoxalidade não é necessariamente perversa. Aliás, tal como Meyer e Gupta (1994, p. 550) aduziram, a eficácia organizacional “é inerentemente paradoxal. Para ser eficaz, uma organização deve possuir atributos que sejam simultaneamente contraditórios, mesmo mutuamente exclusivos (...). As organizações altamente eficazes são as que satisfazem as expectativas dos seus diversos constituintes, mesmo que essas expectativas sejam contraditórias.”
As organizações são estados instáveis, mais do que realidades estáveis. Por outras palavras, as organizações são processos cujos contornos, conteúdos e resultados se alteram com o decurso do tempo e as circunstâncias.
A mudança – e não a resistência à mudança – é a norma da vida organizacional. Mas ambas coexistem – e cada uma necessita da outra. E mesmo as resistências não bloqueiam as mudanças – antes originam outras mudanças, por exemplo uma progressiva ossificação do sistema organizacional.
As estruturas são representações menos adequadas da existência organizacional do que os processos.
Não é possível conhecer um processo sem conhecer o outro processo que se lhe opõe. Cada processo contém as sementes da sua própria destruição.
A glória é o prenúncio da decadência. E a crise pode ser o gérmen da futura glória.
Uma organização “obcecada” com (determinados critérios de) eficácia pode permitir o desenvolvimento das forças que fazem gerar a ineficácia. E a organização que encontra oportunidades na ineficácia pode descobrir caminhos para a eficácia". [p. 15]
[...]
As potencialidades de uma abordagem taoista têm sido exploradas por diversos autores, mesmo que a designação não seja usada. Por exemplo, a análise organizacional levada a cabo por Karl Weick (e.g., Weick, 1979) aborda muitos dos temas enunciados na lista anterior. Greiner (1972) ilustrou o modo como a solução de hoje pode ser o problema de amanhã. Morgan (1986) referiu explicitamente as possibilidades de uma leitura taoista das organizações" [p. 16]
in:
Miguel Pina e CunhaArménio Rego, "Uma abordagem Taoísta da eficácia organizacional" in Área Científica de Gestão G/nº 8/2005, <http://www.egi.ua.pt/wp_gestao/WpGestão8.pdf> [7 de Novembro de 2006]


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